sábado, 3 de dezembro de 2016

não esquecerei

porque há mais que um caminho


os moliceiros têm vela (240)


não esquecerei

escrever é sentir
ler é sentir duas vezes e
esquecer

não escrevo
não leio
não sinto

não esquecerei

(regata do bico; 2012)

https://ahcravo.com/2016/12/03/os-moliceiros-tem-vela-240/

Museu de Arte de São Bernardo (MASB)


O Museu de Arte de São Bernardo (MASB) foi criado através da Lei N.º 5.936, de 17 de dezembro de 2008, recebendo o nome de "Odette Tavares Bellinghausen", localizado na Rua Kara, s/n.º, Jardim do Mar, São Bernardo do Campo, SP.




Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=RIBXUaYyU0U, publicado em 18/08/2010, visualizado em 03/12/2016.

Fonte: http://gaby-cajubrasil.blogspot.com.br/2008/12/art-museum-from-so-bernardo-masb.html, publicado em 17/12/2008, acessado em 03/12/2016.

Odette Tavares Bellinghausen


BIOGRAFIA: Odette Tavares Bellinghausen

Nasceu em Santos no dia 30 de julho de 1915, quando o mundo se debatia na primeira Grande Guerra Mundial. Sua mãe, Firmina D`Assumpção Horta Viegas, era do Algarve, o "Jardim D`Europa à beira-mar plantado", um clima quase tropical, de lindas praias e campos de amendoeiras em flor, terra farta de frutas e flores, mar pródigo em peixes e mariscos, no extremo Sul de Portugal. Seu pai, João Domingues Tavares, era do Norte de Portugal, das Beiras, onde nevava fortemente e a vida era árdua e difícil como o clima.

Seu avô paterno era famoso professor da região e sua avó era dada à música e à poesia, "poetando e improvisando facilmente".

Seus pais eram alegres, inteligentes, trabalhadores e muito sentimentais, viviam promovendo ou participando de festas culturais, artísticas e beneficentes.

Odette teve uma infância feliz, com muito carinho e amor, apesar de ser filha única, mas vivendo em um ambiente propício a desenvolver suas tendências artísticas.

Em 1930, seu pai teve sérios desastres financeiros com a mudança de governo durante a Revolução. Ele perdeu tudo, ficando apenas com a Vila Tavares, em São Bernardo do Campo, hipotecada que depois também foi perdida.

Assim, mudaram-se para São Bernardo do Campo, tentar nova vida e novos negócios.

Em 1931, mudaram-se e Odette não pôde completar o ginásio, pois na cidade havia apenas um grupo escolar localizado onde hoje está a Praça Lauro Gomes.

A família residiu em São Bernardo do Campo até 1934, em seguida mudando-se para Santo André onde Odette permaneceu até o seu casamento com o industrial sambernardense Alberto Eduardo Bellinghausen.

Alberto foi um grande e ótimo companheiro. Tiveram cinco filhos: Ronald, Divanir, Amarylis, Suzana e Rosa Maria.

Desde que retornou a São Bernardo do Campo, participou de movimentos artístico-culturais, dando início a muitos deles e colaborando em quase todos, inclusive de cunho oficial e de assistência social.

O fato de não poder ter concluído o curso ginasial a desgostava muito e quase causando-lhe vergonha de dizer, mas após o contato com o livro Gato preto em campo de neve de Érico Veríssimo, no qual o escritor conta que parou de estudar no segundo ano ginasial, por impossibilidade financeira, considerando-se então um autodidata, Odette convenceu-se de que não são os diplomas que nos dão valor e sim o que lemos, nossa inteligência e a nossa vontade de aprender bem como um ambiente que favoreça nossos conhecimentos. Leitora ávida, desde a infância, sempre leu tudo o que pôde, mas sempre com critério.

Quando adolescente, teve estudos de línguas. Falava regularmente o francês assim como o inglês e o alemão, conhecimentos que lhe foram de grande valia quando viajou para a Europa, em 1980, quando percorreu doze países.

Acompanhou os estudos de suas filhas, desde o ginasial até a especialização, fato de grande valor que contribuiu para intitular-se autodidata.

Sempre gostou de "fazer um pouco de tudo" - plantar, semear, tratar de animais.

A convivência com seus filhos, nora, genro e netos foi a fonte principal de seu prazer até a sua morte em 14 de outubro de 1985, aos oitenta anos de idade. 

Fonte: https://leismunicipais.com.br/a/sp/s/sao-bernardo-do-campo/lei-ordinaria/2008/593/5936/lei-ordinaria-n-5936-2008-denomina-odette-tavares-bellinghausen-o-museu-de-arte-de-sao-bernardo-do-campo-e-da-outras-providencias-2008-12-17.html, publicado em 20 de fevereiro de 2009, acessado em 3 de dezembro de 2016.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

mãos de mar (4)




mãos de mar (4)


por entre as mãos
correm rios tristes
e são de mar

(torreira; 2016)

https://ahcravo.com/2016/11/28/maos-de-mar-4/

domingo, 27 de novembro de 2016

cirandando ideias




postais da ria (191)


cirandando ideias

nada é tão certo
como o incerto

(torreira; 2016)

cirandar berbigão com ciranda de um, ou : era uma vez uma caixa de fruta transformada e adaptada

https://ahcravo.com/2016/11/27/postais-da-ria-191/

domingo, 20 de novembro de 2016

Viajo, viajo...





Tamanho contentamento embala meus sentidos, pois viajar é preciso.
Embarco, então, sem tempo pra retornar, despressurizo toda tensão, calibro-me noutros reinos e camaradas encontro em mim mesmo.

Viajo, viajo, sem ter o que despachar, sem nada levar.
Vejo paisagens a colorir meus pensamentos, faço amores
e chego às alturas sem a saudade inoportuna.

Depois, meu corpo esfria carregado pelas correntezas de um rio,
de repente, num gemido nada contido, corro prum espaço inabitável, um desejo incontrolável me permito sentir e navego por horas dentro de mim.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

mãos de dar




mãos de mar (3)


mãos de dar

não
não me arrependo
de serem de dar as mãos
que me deram

nos cotos
dos braços que me levaram
outras mãos nasceram
para continuarem a dar

haverá amargura
por dentro dos dias agora
mas brilha nos olhos
o sol de sempre

o tempo
que nunca caberá nas mãos
é oferta impossível

usaram-no mal

(torreira; 2016)

https://ahcravo.com/2016/11/15/maos-de-mar-3/

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

nada é


o alar da manga

crónicas da xávega (183)


nada é

não há máximas
que me tirem daqui

era o mínimo
que o ouviam dizer

calou-o a realidade
ignorada

o homem o trouxe
e o levou

o tempo calará
o mais

(torreira; 2016)

https://ahcravo.com/2016/11/14/cronicas-da-xavega-183/

domingo, 13 de novembro de 2016

FACE Festival Anual da Canção Estudantil 2015



FACE - Festival Anual da Canção Estudantil - 2015 Itapetinga - BA
Bruno Ângelo e Mateus Porto
2.º lugar com a música RAÇA representando o Colégio Estadual Normal São Pedro de Macarani - BA.


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

hoje

diz "enfeitar"



a beleza do sal (3)


hoje


hoje morreu leonard cohen
hoje está frio
hoje ainda estou vivo
hoje a mãe fez 92 anos
hoje comi 4 castanhas

hoje é sexta-feira
hoje fui a coimbra
hoje comprei um frigorífico
hoje estive com amigos
hoje recebi uma tela uma prenda

hoje morreu leonard cohen
hoje é mais um dia
hoje está quase a acabar

hoje nasceu muita gente
hoje morreu muita gente
hoje foi mais um dia

hoje a beleza do sal
continua
hoje não se faz sal

(morraceira; 2016)

https://ahcravo.com/2016/11/11/a-beleza-do-sal-3/

domingo, 6 de novembro de 2016

do medo




mãos de mar (2)


do medo

por entre os dedos
a corda dos dias
correu

agarrei o que pude
como soube
aprendi

tudo é nada
rente ao mar

o que foi continuará
a engrenagem
funciona

gorduroso o medo

(torreira; 2016)

https://ahcravo.com/2016/11/06/maos-de-mar-2/

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

falo do moliceiro



os moliceiros têm vela (237)


falo do moliceiro

um barco
não tem raízes
é raiz

navega memórias
redesenha silêncios
inventa futuros

o homem criou o barco
e nele se enraizou
para fazer a viagem

(torreira; regata do s. paio; 2016)

fotografar moliceiros de dentro de um moliceiro é viver mais a fotografia

https://ahcravo.com/2016/11/04/os-moliceiros-tem-vela-237/