domingo, 22 de janeiro de 2017

em louvor do moliceiro


ilusão, os homens têm o tamanho do barco

fazem os homens
o barco que os faz
e no fazerem-se
são mais que eles

queria dizer-te
que o teu tamanho
como escreveu pessoa
é o tamanho do teu sonho

e tu
oh homem pequeno
de trazer por casa
se não fores barco
não serás sonho
nem terás tamanho

tenham piedade de ti
que eu não


(torreira; agosto de 2016)

https://ahcravo.com/2017/01/22/os-moliceiros-tem-vela-246/

sábado, 21 de janeiro de 2017

onde a agulha?






mãos de mar (11)


onde a agulha?


faz-se o nó
emenda-se a corda

assim se unissem
os homens
como as mãos
no fazer

onde a agulha?

(torreira)

https://ahcravo.com/2017/01/21/maos-de-mar-11/

domingo, 15 de janeiro de 2017

oração (2)





crónicas da xávega (189)


oração (2)

aos homens que vencem o mar
vencendo-se a si próprios

eu que sou um deles sem o ser
só lhes peço
que sejam em terra os mesmos
de pé altivos destemidos

de joelhos só perante
o senhor dos céus
em oração

(torreira; companha do marco; 2016)

https://ahcravo.com/2017/01/15/cronicas-da-xavega-189/

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

na janela o rosto


quando não vêem que olho


na janela o rosto

a viagem
não é estar
é ser

o rosto na janela

(no comboio entre coimbra e figueira, 12 jan 2017)

https://ahcravo.com/2017/01/13/na-janela-o-rosto/

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

das mãos




mãos de mar (10)


das mãos


com as mãos digo o teu nome
caminho pelas palavras
por onde houver que
dou e tiro

sou as minhas mãos
lê-as para me saber

https://ahcravo.com/2017/01/12/maos-de-mar-10/

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

salgar o olhar


rer

a beleza do sal (9)


salgar o olhar
e dar-lhe o sabor
destes momentos

(morraceira; 2016)


https://ahcravo.com/2017/01/10/a-beleza-do-sal-9/

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

palavras amarradas

quase ternura

mãos de mar (9)


palavras amarradas

está cheio o baú
de palavras por dizer

o silêncio são palavras
amarradas

(torreira; 2014)

https://ahcravo.com/2017/01/05/maos-de-mar-9/

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

é tempo de molceiros


o grande ti abílio carteirista


os moliceiros têm vela (244)


é tempo de moliceiros

há gestos que dão vida
há silêncios que matam
há palavras que assassinam

há homens que se revelam
a cada instante
de uns fica a memória de terem sido
de outros a de serem para sempre

para o ti abílio mais que a palavra
o gesto o abraço o estar aqui
mesmo se retirado

em 2016
o ti abílio salvou-me o ano
que outros mataram

para ele 2017 é pequeno
o tempo todo não chega

é tempo de moliceiros
queiram ou não
será sempre

(regata do s. paio; 2016)

https://ahcravo.com/2017/01/02/os-moliceiros-tem-vela-244/

domingo, 1 de janeiro de 2017

às gentes da xávega





crónicas da xávega (188)



às gentes da xávega


que 2017 traga às redes
o peixe o carapau a sardinha
que negou em 2016
no tempo certo

que nem todo o tempo o é
isso aprendi
por isso o  desejo

a todos os que da xávega
fazeis vida

que os que ainda não vos respeitam
aprendam em 2017
que quando deixardes de ser
a sua terra perderá
muito mais de si
do que uma simples arte de pesca

perderá o futuro
porque deixou morrer
o passado

(torreira; 2015)

https://ahcravo.com/2017/01/01/cronicas-da-xavega-188/

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

mãos de mar




mãos de mar (8)


pudessem as mãos
chorar

seriam delas as lágrimas
também

https://ahcravo.com/2016/12/29/maos-de-mar-8/

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

A praia

Me jogo na quebrada das ondas que inundam minha pele sob a carícia da brisa...
Envolta num abraço molhado, fico imersa por um tempo pra naufragar meu cansaço,
mas, tão logo, meus pés sentem as cócegas de cardumes inteiros a me cutucar.

Então, retorno ao monte arenoso e me demoro a admirar aquele altar.
 A praia é realmente o espaço em que mora meus melhores hábitos voluntários. 
O cristalino do mar enobrece o voluntarioso desejo que em mim se acumula...

A fugacidade com que leva e traz águas renovadas, embora em muitas, ainda vestígios de ontem haja,
é simplesmente lindo, é o amor sincero que sinto pelas nuances do colorido diurno e da una cor noturna que nenhum mistério é capaz de minar.

1.º Sarau da "DesORDEM"














Registro fotográfico do 1.º Sarau da "DesORDEM" que aconteceu na Casa do Advogado, em São Bernardo do Campo, SP, no dia 12 de dezembro de 2016, das 19h00 às 23h00 horas.
Quero agradecer o convite da Dra Claudia Versolato e as presenças maravilhosas da Cristal e da poeta Maria Celma.


Manoel Hélio, é poeta e mora em São Bernardo do Campo - SP.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

desabafo

mãos de dar, mãos de fazer, mãos de ser


mãos de mar (6)


desabafo

melhor não escrever nada
estou engasgado de sentir
as palavras come-as
o tanto

tenho para mim
que o que fiz
sempre que o fiz
foi por bem
mesmo se errei
ao fazê-lo

por isso
me dói
calo calco

não mereço
não mereço
não mereço

escrevi

https://ahcravo.com/2016/12/23/maos-de-mar-6/