sábado, 27 de junho de 2009

TRAIÇÃO OU INCOERÊNCIA ?

Paço Municipal de São Bernardo do Campo, quarta-feira, pela manhã, aproximadamente 3.000 servidores públicos em estado de greve, os membros da Comissão Permanente de Negociação presentes, a atual diretoria executiva do Sindicato presente, a Comissão de Negociação Mista presente , alguns dirigentes sindicais de outras regiões ou municípios presentes, tinha também um caminhão de som presente, o Prefeito também estava presente só que no 19º ou 18º andar do Paço.
Fiquei pensando com os meus botões, eu já vi esse filme antes, e sinceramente não gostei do final.
Os servidores públicos de São Bernardo do Campo estavam presentes, o encaminhamento dado pela atual diretoria executiva do Sindicato ao meu ver foi totalmente equivocada, agendar uma assembléia para uma sexta-feira após o expediente de trabalho e uma "voltinha" no Paço Municipal, para quem está em estado de greve?
Uma pergunta que não quer calar, porque uma comissão não foi tirada naquele instante para ir negociar com o Prefeito? Por que está proposta não foi encaminhada pela atual diretoria executiva do Sindicato?
E tem mais porque apenas uma "voltinha" no Paço, quando nós podíamos ocupar a Anchieta?
A Anchieta não é palco somente dos metalúrgicos e movimentos sociais, é de todos aqueles que lutam por seus direitos, e os servidores públicos de São Bernardo do Campo também estão incluídos, porque a atual diretoria executiva do Sindicato não encaminhou está proposta?
Na composição da atual diretoria executiva do Sindicato, nós temos três militantes do PSOL, dois titulares e um suplente, apesar de sermos minoria na composição da atual diretoria executiva, estamos e somos solidários com a luta dos servidores públicos de São Bernardo do Campo.
No Paço Municipal na quarta-feira e também na sexta-feira no Sindicato não vi presentes nenhum dos diretores do Sindicato que receberam cargos em comissão do Prefeito, mesmo com a atual diretoria executiva mantendo os seus nomes no site oficial do Sindicato (www.sindservsbc.org.br), com total falta de respeito aos servidores públicos de São Bernardo do Campo em estado de greve.
Manoel Hélio
Estou membro suplente da diretoria executiva do SINDSERV/SBC
Gestão 2007/2011
Sou militante do PSOL em São Bernardo do Campo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O Escritor e Seus Fantasmas

Reflexões do escritor argentino Ernesto Sábato, extraídas do livro: O Escritor e Seus Fantasmas.


A ARTE COMO CONHECIMENTO

Desde Sócrates, o conhecimento só podia ser alcançado mediante a razão pura. Ao menos foi esse o ideal de todos os racionalismos até os românticos, quando a paixão e as emoções são reivindicadas como fonte de conhecimento, momento em que Kierkegaard chega a afirmar que “as conclusões da paixão são as únicas dignas de fé”.
Os dois extremos, evidentemente são exagerados e o disparate provém de aplicar aos homens um critério válido para as coisas e vice-versa. É evidente que a raiva ou a mesquinharia nada acrescentam ao teorema de Pitágoras.
Mas também é evidente que a razão é cega para os valores; e não é mediante a razão nem por meio da análise lógica ou matemática que valorizamos uma paisagem ou uma estátua ou um amor. A disputa entre os que assinalam a primazia da razão e os que defendem o conhecimento emocional é simplesmente, uma disputa em torno do universo físico do homem. O racionalismo (não esqueçamos que abstrair significa separar) pretendeu cindir as diferentes “partes” da alma: a razão, a emoção e a vontade; e uma vez cometida a brutal divisão, pretendeu que o conhecimento só podia ser obtido através da razão pura. Como a razão é universal, como para todo o mundo e em qualquer época o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos, como o válido para todos parecia ser sinônimo da verdade, então o individual era falso por excelência. E assim se desacreditou o subjetivo, assim se desprestigiou o emocional e o homem completo foi guilhotinado (muitas vezes na praça pública e de fato) em nome da Objetividade, da Universalidade, da Verdade e, o que foi mais tragicômico, em nome da Humanidade.
Agora sabemos que estes partidários das idéias claras e definidas estavam essencialmente equivocados, e que, se suas normas são válidas para um pedaço de silicato, é tão absurdo querer com elas conhecer o homem e seus valores como pretender o conhecimento de Paris lendo seu guia telefônico e olhando sua cartografia. Hoje, qualquer um sabe que as regiões mais valiosas da realidade (as mais valiosas para o homem e seu destino) não podem ser apreendidas pelos abstratos esquemas da lógica e da ciência. E que, se com a inteligência apenas não podemos sequer assegurar-nos que o mundo exterior existe, tal como o demonstrou o Bispo Berkeley, que podemos esperar quanto aos problemas que se referem ao homem e suas paixões? E a menos que neguemos a realidade a um amor ou a uma loucura, devemos concluir que o conhecimento de vastos territórios da realidade está reservado à arte e somente a ela.

MARX E A LITERATURA BURGUESA

Um conhecido revolucionário do século XIX chamado Karl Marx, a quem ninguém pode acusar de tendências pequeno-burguesas, recitava Shakespeare de memória, se extasiava com Byron e Shelley, elogiava Heine e considerava esse reacionário do Balzac como um gigante admirável. E tanto ele como F. Engels se lamentavam de que um gênio como Goethe se rebaixasse ao filisteísmo e às honras do seu ministeriozinho ducal. Não ignoravam suas contradições humanas e filosóficas, sabiam perfeitamente até que ponto Goethe era um artista das classes reacionárias; mas, não obstante, o amavam e admiravam, o consideravam como uma contribuição definitiva à cultura da humanidade.
Bela lição para certos revolucionários de bolso.
Acho que o sinal mais sutil de que uma sociedade já está madura para uma profunda transformação social é que seus revolucionários se revelem capazes de compreender e recolher a herança espiritual da sociedade que termina. Se isto não ocorre, a revolução não está madura.
Convite: Sarau Vozes no Tempo

Dia 24 das 19h às 21:30h. Local: Casa da Palavra: Praça do Carmo, número 171, Santo André, SP.
Esse mês o nosso sarau será baseado na experiência místico-metafísica de diversas culturas e diversos tempos, sob a pena de diferentes poetas e pensadores consagrados. O ator andreense Carlos Lotto recita os textos selecionados a dedo, acompanhado por um concerto de canto gregoriano, realizado pela Schola Cantorum ABC, sob a regência do maestro Marcos Calil. Contamos também com a presença especial do escritor e poeta Cláudio Willer, o pesqisador de poesia sufi João Carlos Guimarães, o professor doutor Juarez Ambires, e outros convidados. No repertório teremos:.Dante Alighieri, Shakespeare, John Donne, Santo Agostinho, Omar Khayyam, São Francisco de Assis, Rumi Santa Teresa D’Avila, Ibn Arabi John Milton, Goethe, São João da Cruz, John Keats, Emily Dickison, Fernando Pessoa, Camões. E outros...
O Sarau é aberto para participação de todos que queiram ler seus poemas.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Uma homenagem ao dia dos namorados...

Desejo que ao ler estas palavras seu corpo incendeie assim como o meu está ao pensar em você
Desejo seu corpo ardente sobre o meu, sua língua a percorrer os locais mais secretos do meu corpo sedenta de desejos
Desejo ser possuída, te possuir, te dominar e fazer com você tudo que jamias faria com qualquer outro
Desejo realizar até os mais obscuros dos seus desejos
Desejo ser sua amante eternamente para que sejamos sempre ardentes em desejos como se cada dia fosse o último
Desejo ser por você desejada e te fazer arder em pensamentos proibidos
Desejo noites inteiras a te satisfazer até a última gota e me saciar em seu corpo, seu cheiro, seu sabor...
Enfim, somente desejos e nada mais.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

UMA ADMINISTRAÇÃO SEM PALAVRA?

Por decisão dos Representantes de Escolas, o Sindicato dos Professores (subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo) solicitou uma audiência com o prefeito Luiz Marinho do PT, para tratar de pontos específicos relativos aos professores que foram municipalizados, da própria rede municipal e anunciar, mais uma vez o posicionamento do Sindicato contra a Municipalização do Ensino na cidade. Essa decisão é fruto de intenso debate interno e externo, além de resolução de Congresso da própria categoria. Num primeiro momento, fomos informados que os Secretários de Educação e de Governo atenderiam o Sindicato conforme agenda solicitada.

Por cautela, o coordenador da Subsede consultou a Executiva do Sindicato se deveríamos ou não ser atendidos pelos Secretários em tela. A Executiva recomendou a referia reunião, o que de pronto foi encaminhada. 
A reunião foi agendada pela Administração para o dia 02 de Junho, às 15 horas, no 17º andar da Prefeitura.
Compareceu a reunião os membros da Executiva: Aldo Santos, Paulo Neves, Verinha, Conceição, Rosa Nobuko, Teotônio, Célia, Aimê, Adonias, Bruno, Vera, Alan, e a funcionária Lucimara.
Aproximadamente, uma hora antes, foi enviado um comunicado a imprensa sobre a reunião agendada. 
Chegamos pontualmente às 15 horas no 17º andar. Esperamos por volta de 30 minutos até sermos conduzidos ao 19º andar, numa ampla sala de reunião. 
A imprensa que compareceu foi à repórter do Diário do Grande ABC, que iniciou sua entrevista antes mesmo da reunião ter “início”.
Para nossa surpresa, depois de 50 minutos, dois senhores compareceram e se apresentaram como Secretários adjuntos; respectivamente da Secretaria da Educação e de Governo, (o Senhor Rafael e o Senhor Arquimedes).
Antes de iniciar a reunião, fomentaram uma pequena dúvida por parte do adjunto da Educação, colocando um tema transversal, referindo-se a um ofício de reunião solicitada pelo Psol. Um assunto totalmente estranho a reunião. O Professor Aldo, informou que a reunião ali se tratava de uma solicitação do Sindicato dos Professores (APEOESP), sem nenhuma vinculação com eventual reunião solicitada pelo PSOL.
Ai então, o Senhor Arquimedes, disse que a condição para a reunião ter início era a saída da repórter do recinto, espeficamente, a repórter do Diário do Grande ABC que estava presente. Argumentamos que da parte do Sindicato nada deveria ser escondido, uma vez que se tratava de assunto de interesse público e não privado, e que não teríamos nenhum problema com o acompanhamento da Reportagem. 
Representantes da administração firmaram posição sobre a saída da imprensa.  O que nós percebemos de fato era que se pretendia buscar um pretexto para inviabilizar a referida reunião e buscava-se um bode expiatório para tal comportamento. Diante do jogo dos representantes do prefeito em impor condições, consultamos os presentes sobre o descaso para com o sindicato, e os educadores do estado.
Os presentes, diante do descaso reiteraram a pauta da reunião e solicitaram que os mesmos remarcassem para que o prefeito pudesse então arrumar uma agenda para atender os professores. 
Os Sindicalistas retiraram-se do recinto da reunião, indignados com aquele comportamento. Ato contínuo, a comissão de imprensa da Subsede emitiu uma nota repudiando o tratamento dado aos membros da Executiva Municipal da APEOESP: “A Secretária Municipal de Educação Cleuza Repulho e o Secretário de Governo José Albino, não compareceram à reunião com o Sindicato agendada pela própria administração municipal. Ambos enviaram os respectivos Secretários Adjuntos, os quais comunicaram que além de não responderem pelos pontos da pauta, não dariam início à reunião enquanto a imprensa (Diário do Grande ABC) estivesse presente.
A reunião foi solicitada pela Subsede no início do mês de Março deste ano, com o Prefeito Luiz Marinho. Como a administração não respondeu a este primeiro pedido, a solicitação foi reiterada no final do mês de abril e só no final do mês de maio a administração agendou a reunião no dia 02 de junho.

A pauta que não foi discutida foi mais uma vez reiterada, tendo os seguintes pontos:

1 – Cartilha elaborada pela Subsede contra a Municipalização do Ensino Fundamental;

2 – Revogação da Lei da Mordaça em nível municipal;

3 – Democratização dos Conselhos Municipais de educação;

3 - Um terço da jornada docente cumprida em hora atividade conforme Lei Federal 11.738/08;

4 – Abono de ponto para os Professores das escolas municipalizadas participarem das reuniões do sindicato;

5 – Garantida das condições básicas de trabalho: café, água potável, creche e materiais pedagógicos;

6 – Passe Livre estudantil;

7 – Merenda no Ensino Médio.

Na oportunidade a APEOESP deixou claro que o não comparecimento do Prefeito e dos Secretários Titulares é um desrespeito aos professores e a educação pública.
Reiteramos a necessidade da Administração mudar essa postura e receber entidade de forma respeitosa discutindo e atendendo todos os pontos da pauta de reivindicação”.
Sabemos que o tema municipalização de ensino é indigesto para o prefeito Marinho, uma vez que, vários órgãos confiáveis demonstram a inviabilidade da mesma, como aponta estudos da FGV e outros argumentos contidos na apostila anexada ao ofício protocolado. Além desse tema, solicitamos se de fato o Prefeito vem pagando aos Servidores da Educação Municipal o que manda o FUDEB, pois queremos conferir os  e números  que não estão devidamente esclarecidos.
Um dos itens acima corrobora, certamente, que a Administração não é democrática e, portanto, justifica-se reivindicarmos o fim do entulho autoritário que existe na administração Municipal (Lei da Mordaça).
O que se observa na realidade é que o Prefeito Municipal discrimina o povo organizado, com esses trapalhões políticos, que pela condução dos trabalhos beirava o ridículo.
No mais, esse comportamento demonstrado é próprio de um  governo frágil, incompetente, autoritário e pelo visto dá para entender o porquê da administração está paralisada e o abandono é verificado em todas as partes da cidade.
Na prática, é uma administração sem educação, sem proposta, sem respeito ao contribuinte e sem palavra.

MUDAR É PRECISO!!!

(Aldo Santos- Ex-vereador, Membro da direção Nacional e presidente do Psol de SBC.)


domingo, 7 de junho de 2009

CONTRA O COMPLÔ DO SILÊNCIO, A VOZ DOS POETAS PALESTINOS

Carteira de identidade

Registra-me!
sou árabe
o número de minha identidade é ciqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono... virá logo depois do verão!
vais te irritar por acaso?
Registra-me!
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos
arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?

Registra-me!
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes...
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai... da família do arado
e não dos senhores do Nujub
e meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum

Registra-me!
sou árabe
sou árabe
cabelos... negros
olhos... castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
as palmas ásperas como rochas
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povo perdido... esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens... no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?

Registra-me!
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não deixastes
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas... se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado... cuida-te
de minha fome
e minha cólera.

(Mahmoud Darwish)

Cecília Toledo, Revista Marxismo Vivo, nº 20, ano 2009, páginas 127 e 128.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Invenção

Invenção

Eu sou a última taça de vinho do porto
A crítica da razão pura
Um filósofo morto noir

As palavras saem como vidro moído
Conheço sua geografia de uivos
& o futuro são sonhos de rouquidão

Penso que suas cartas eram sempre assim:
não as enviava
- guardava-as com cuidado
nas vielas da pele

Penso que o passado é uma dor
sensível a ambientes escuros
& o futuro é o caldeirão das magas
imprevisível

Não conheço os caminhos
embora tenha muitos sapatos
cheios de pó
aos quais não pode perguntar nada
como não pode perguntar aos cigarros que EU queimei

Nunca acreditei em mapas
Só naqueles que inventei
para explicar o vazio
e poder ler o futuro
em qualquer mão
que beijei
que estendi
que apertei

Subo para o sótão onde trancafiei o passado
e sempre invento histórias:
mataram os patos do paço municipal
queimo bonecas de pano
que fugiram do reformatório
ou espero poemas bem resolvidos
que EU não farei

Não imagino a previsão do tempo
nem folheio gibis
nem imagino você num velóriode mãos roxas e gravata de bolinhas
com um pote inútil
para o exame de fezes
guardado na geladeira

Saio na rua
& O Outdoor na esquina
Anuncia
que a poesia está em liquidação:
Compre dois versos
e ganhe uma bala.

Nos banheiros públicos
poetas procuram
corações de pedra
que fugiram pelas privadas

Dou esmola aos Meninos que esmolam nos faróis & observo a fila da sopa
do pós- civilização

Poderia te procurar
entre livros e sites
entre diásporas e sonetos
entre a cidade e o gueto

Poderia te procurar
Nessa cidade sem sentido
Num bar argentino
encantado com um tango
a mil graus centígrados
com um copo na mão

Poderia te procurar
no Jardim do Éden ou das Provocações
ou num jogo de amarelinha

indeciso
entre o céu
e o inferno

Mas nunca acreditei em Deus.





Vanessa Molnar