sábado, 27 de junho de 2009
TRAIÇÃO OU INCOERÊNCIA ?
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Escritor e Seus Fantasmas
A ARTE COMO CONHECIMENTO
Desde Sócrates, o conhecimento só podia ser alcançado mediante a razão pura. Ao menos foi esse o ideal de todos os racionalismos até os românticos, quando a paixão e as emoções são reivindicadas como fonte de conhecimento, momento em que Kierkegaard chega a afirmar que “as conclusões da paixão são as únicas dignas de fé”.
Os dois extremos, evidentemente são exagerados e o disparate provém de aplicar aos homens um critério válido para as coisas e vice-versa. É evidente que a raiva ou a mesquinharia nada acrescentam ao teorema de Pitágoras.
Mas também é evidente que a razão é cega para os valores; e não é mediante a razão nem por meio da análise lógica ou matemática que valorizamos uma paisagem ou uma estátua ou um amor. A disputa entre os que assinalam a primazia da razão e os que defendem o conhecimento emocional é simplesmente, uma disputa em torno do universo físico do homem. O racionalismo (não esqueçamos que abstrair significa separar) pretendeu cindir as diferentes “partes” da alma: a razão, a emoção e a vontade; e uma vez cometida a brutal divisão, pretendeu que o conhecimento só podia ser obtido através da razão pura. Como a razão é universal, como para todo o mundo e em qualquer época o quadrado da hipotenusa é a soma dos quadrados dos catetos, como o válido para todos parecia ser sinônimo da verdade, então o individual era falso por excelência. E assim se desacreditou o subjetivo, assim se desprestigiou o emocional e o homem completo foi guilhotinado (muitas vezes na praça pública e de fato) em nome da Objetividade, da Universalidade, da Verdade e, o que foi mais tragicômico, em nome da Humanidade.
Agora sabemos que estes partidários das idéias claras e definidas estavam essencialmente equivocados, e que, se suas normas são válidas para um pedaço de silicato, é tão absurdo querer com elas conhecer o homem e seus valores como pretender o conhecimento de Paris lendo seu guia telefônico e olhando sua cartografia. Hoje, qualquer um sabe que as regiões mais valiosas da realidade (as mais valiosas para o homem e seu destino) não podem ser apreendidas pelos abstratos esquemas da lógica e da ciência. E que, se com a inteligência apenas não podemos sequer assegurar-nos que o mundo exterior existe, tal como o demonstrou o Bispo Berkeley, que podemos esperar quanto aos problemas que se referem ao homem e suas paixões? E a menos que neguemos a realidade a um amor ou a uma loucura, devemos concluir que o conhecimento de vastos territórios da realidade está reservado à arte e somente a ela.
MARX E A LITERATURA BURGUESA
Um conhecido revolucionário do século XIX chamado Karl Marx, a quem ninguém pode acusar de tendências pequeno-burguesas, recitava Shakespeare de memória, se extasiava com Byron e Shelley, elogiava Heine e considerava esse reacionário do Balzac como um gigante admirável. E tanto ele como F. Engels se lamentavam de que um gênio como Goethe se rebaixasse ao filisteísmo e às honras do seu ministeriozinho ducal. Não ignoravam suas contradições humanas e filosóficas, sabiam perfeitamente até que ponto Goethe era um artista das classes reacionárias; mas, não obstante, o amavam e admiravam, o consideravam como uma contribuição definitiva à cultura da humanidade.
Bela lição para certos revolucionários de bolso.
Acho que o sinal mais sutil de que uma sociedade já está madura para uma profunda transformação social é que seus revolucionários se revelem capazes de compreender e recolher a herança espiritual da sociedade que termina. Se isto não ocorre, a revolução não está madura.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Uma homenagem ao dia dos namorados...
Desejo seu corpo ardente sobre o meu, sua língua a percorrer os locais mais secretos do meu corpo sedenta de desejos
Desejo ser possuída, te possuir, te dominar e fazer com você tudo que jamias faria com qualquer outro
Desejo realizar até os mais obscuros dos seus desejos
Desejo ser sua amante eternamente para que sejamos sempre ardentes em desejos como se cada dia fosse o último
Desejo ser por você desejada e te fazer arder em pensamentos proibidos
Desejo noites inteiras a te satisfazer até a última gota e me saciar em seu corpo, seu cheiro, seu sabor...
Enfim, somente desejos e nada mais.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
UMA ADMINISTRAÇÃO SEM PALAVRA?

Por decisão dos Representantes de Escolas, o Sindicato dos Professores (subsede da APEOESP de São Bernardo do Campo) solicitou uma audiência com o prefeito Luiz Marinho do PT, para tratar de pontos específicos relativos aos professores que foram municipalizados, da própria rede municipal e anunciar, mais uma vez o posicionamento do Sindicato contra a Municipalização do Ensino na cidade. Essa decisão é fruto de intenso debate interno e externo, além de resolução de Congresso da própria categoria. Num primeiro momento, fomos informados que os Secretários de Educação e de Governo atenderiam o Sindicato conforme agenda solicitada.
Por cautela, o coordenador da Subsede consultou a Executiva do Sindicato se deveríamos ou não ser atendidos pelos Secretários em tela. A Executiva recomendou a referia reunião, o que de pronto foi encaminhada.A reunião foi agendada pela Administração para o dia 02 de Junho, às 15 horas, no 17º andar da Prefeitura.
Compareceu a reunião os membros da Executiva: Aldo Santos, Paulo Neves, Verinha, Conceição, Rosa Nobuko, Teotônio, Célia, Aimê, Adonias, Bruno, Vera, Alan, e a funcionária Lucimara.
Aproximadamente, uma hora antes, foi enviado um comunicado a imprensa sobre a reunião agendada.
Chegamos pontualmente às 15 horas no 17º andar. Esperamos por volta de 30 minutos até sermos conduzidos ao 19º andar, numa ampla sala de reunião.
A imprensa que compareceu foi à repórter do Diário do Grande ABC, que iniciou sua entrevista antes mesmo da reunião ter “início”.
Para nossa surpresa, depois de 50 minutos, dois senhores compareceram e se apresentaram como Secretários adjuntos; respectivamente da Secretaria da Educação e de Governo, (o Senhor Rafael e o Senhor Arquimedes).
Antes de iniciar a reunião, fomentaram uma pequena dúvida por parte do adjunto da Educação, colocando um tema transversal, referindo-se a um ofício de reunião solicitada pelo Psol. Um assunto totalmente estranho a reunião. O Professor Aldo, informou que a reunião ali se tratava de uma solicitação do Sindicato dos Professores (APEOESP), sem nenhuma vinculação com eventual reunião solicitada pelo PSOL.
Ai então, o Senhor Arquimedes, disse que a condição para a reunião ter início era a saída da repórter do recinto, espeficamente, a repórter do Diário do Grande ABC que estava presente. Argumentamos que da parte do Sindicato nada deveria ser escondido, uma vez que se tratava de assunto de interesse público e não privado, e que não teríamos nenhum problema com o acompanhamento da Reportagem.
Representantes da administração firmaram posição sobre a saída da imprensa. O que nós percebemos de fato era que se pretendia buscar um pretexto para inviabilizar a referida reunião e buscava-se um bode expiatório para tal comportamento. Diante do jogo dos representantes do prefeito em impor condições, consultamos os presentes sobre o descaso para com o sindicato, e os educadores do estado.
Os presentes, diante do descaso reiteraram a pauta da reunião e solicitaram que os mesmos remarcassem para que o prefeito pudesse então arrumar uma agenda para atender os professores.
Os Sindicalistas retiraram-se do recinto da reunião, indignados com aquele comportamento. Ato contínuo, a comissão de imprensa da Subsede emitiu uma nota repudiando o tratamento dado aos membros da Executiva Municipal da APEOESP: “A Secretária Municipal de Educação Cleuza Repulho e o Secretário de Governo José Albino, não compareceram à reunião com o Sindicato agendada pela própria administração municipal. Ambos enviaram os respectivos Secretários Adjuntos, os quais comunicaram que além de não responderem pelos pontos da pauta, não dariam início à reunião enquanto a imprensa (Diário do Grande ABC) estivesse presente.
A reunião foi solicitada pela Subsede no início do mês de Março deste ano, com o Prefeito Luiz Marinho. Como a administração não respondeu a este primeiro pedido, a solicitação foi reiterada no final do mês de abril e só no final do mês de maio a administração agendou a reunião no dia 02 de junho.
A pauta que não foi discutida foi mais uma vez reiterada, tendo os seguintes pontos:
1 – Cartilha elaborada pela Subsede contra a Municipalização do Ensino Fundamental;
2 – Revogação da Lei da Mordaça em nível municipal;
3 – Democratização dos Conselhos Municipais de educação;
3 - Um terço da jornada docente cumprida em hora atividade conforme Lei Federal 11.738/08;
4 – Abono de ponto para os Professores das escolas municipalizadas participarem das reuniões do sindicato;
5 – Garantida das condições básicas de trabalho: café, água potável, creche e materiais pedagógicos;
6 – Passe Livre estudantil;
7 – Merenda no Ensino Médio.
Na oportunidade a APEOESP deixou claro que o não comparecimento do Prefeito e dos Secretários Titulares é um desrespeito aos professores e a educação pública.
Reiteramos a necessidade da Administração mudar essa postura e receber entidade de forma respeitosa discutindo e atendendo todos os pontos da pauta de reivindicação”.
Sabemos que o tema municipalização de ensino é indigesto para o prefeito Marinho, uma vez que, vários órgãos confiáveis demonstram a inviabilidade da mesma, como aponta estudos da FGV e outros argumentos contidos na apostila anexada ao ofício protocolado. Além desse tema, solicitamos se de fato o Prefeito vem pagando aos Servidores da Educação Municipal o que manda o FUDEB, pois queremos conferir os e números que não estão devidamente esclarecidos.
Um dos itens acima corrobora, certamente, que a Administração não é democrática e, portanto, justifica-se reivindicarmos o fim do entulho autoritário que existe na administração Municipal (Lei da Mordaça).
O que se observa na realidade é que o Prefeito Municipal discrimina o povo organizado, com esses trapalhões políticos, que pela condução dos trabalhos beirava o ridículo.
No mais, esse comportamento demonstrado é próprio de um governo frágil, incompetente, autoritário e pelo visto dá para entender o porquê da administração está paralisada e o abandono é verificado em todas as partes da cidade.
Na prática, é uma administração sem educação, sem proposta, sem respeito ao contribuinte e sem palavra.
MUDAR É PRECISO!!!
(Aldo Santos- Ex-vereador, Membro da direção Nacional e presidente do Psol de SBC.)
domingo, 7 de junho de 2009
CONTRA O COMPLÔ DO SILÊNCIO, A VOZ DOS POETAS PALESTINOS

segunda-feira, 1 de junho de 2009
Invenção
Eu sou a última taça de vinho do porto
A crítica da razão pura
Um filósofo morto noir
As palavras saem como vidro moído
Conheço sua geografia de uivos
& o futuro são sonhos de rouquidão
Penso que suas cartas eram sempre assim:
não as enviava
- guardava-as com cuidado
nas vielas da pele
Penso que o passado é uma dor
sensível a ambientes escuros
& o futuro é o caldeirão das magas
imprevisível
Não conheço os caminhos
embora tenha muitos sapatos
cheios de pó
aos quais não pode perguntar nada
como não pode perguntar aos cigarros que EU queimei
Nunca acreditei em mapas
Só naqueles que inventei
para explicar o vazio
e poder ler o futuro
em qualquer mão
que beijei
que estendi
que apertei
Subo para o sótão onde trancafiei o passado
e sempre invento histórias:
mataram os patos do paço municipal
queimo bonecas de pano
que fugiram do reformatório
ou espero poemas bem resolvidos
que EU não farei
Não imagino a previsão do tempo
nem folheio gibis
nem imagino você num velóriode mãos roxas e gravata de bolinhas
com um pote inútil
para o exame de fezes
guardado na geladeira
Saio na rua
& O Outdoor na esquina
Anuncia
que a poesia está em liquidação:
Compre dois versos
e ganhe uma bala.
Nos banheiros públicos
poetas procuram
corações de pedra
que fugiram pelas privadas
Dou esmola aos Meninos que esmolam nos faróis & observo a fila da sopa
do pós- civilização
Poderia te procurar
entre livros e sites
entre diásporas e sonetos
entre a cidade e o gueto
Poderia te procurar
Nessa cidade sem sentido
Num bar argentino
encantado com um tango
a mil graus centígrados
com um copo na mão
Poderia te procurar
no Jardim do Éden ou das Provocações
ou num jogo de amarelinha
indeciso
entre o céu
e o inferno
Mas nunca acreditei em Deus.
Vanessa Molnar
