terça-feira, 29 de dezembro de 2009
CÉSAR DI - O TREM DAS SETE - VIRADA CULTURAL - PALCO TOCA RAUL
Site do músico: www.myspace.com/cesardi. Foi simplesmente de arrepiar, César Di Subiu ao Palco logo após o Nasi(Ex vocalista do Ira), aproximadamente à 1 hora da manhã/03 de maio,e tocou na íntegra...
FABRICIO RAMOS - EU QUERO É BOTAR O MEU BLOCO NA RUA (COVER)
Fabricio Ramos..em casa relaxando e fazendo um som ao lado do amigo e violonista Marcos André, tocando "Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua" do grande Sergio Sampaio.
domingo, 27 de dezembro de 2009
PLINIO PRESIDENTE
O poeta Manoel Hélio declara o seu apoio à candidatura de Plínio para presidente do Brasil, com a Frente de Esquerda (PSOL, PSTU e PCB), mais os movimentos sociais engajados na luta dos trabalhadores e das trabalhadoras.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Carlos Benethi e Vando Amorin
Primeira parte da entrevista de Carlos Benethi no programa Loucuras do Alexandrelli, sucesso da Just Tv
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
EVASÃO - NÃO TERMINOU
Banda: Evasão Música: Não Terminou Álbum: Evasão (2006) Gravadora: Independente Diretores: (Fabio de Abreu, Fabricio Mafezoli, Felipe Kimio e Tiago dos Anjos) OMNI.art
BOCA DO INFERNO
uma vaigem poética de may house a santa teresa, passando pela ponte rio/niterói e laranjeiras
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
VANESSA MOLNAR NO SARAU DO POVO ERÓTICO
Lê textos do seu mais recente livro: "Crônicas de uma tara gentil" Conheça o sarau do povo: http://saraudopovo.blogspot... == BAR DO POVO == onde se bebe cultura
BOLSA AOS GUIAS DE PARA-ATLETAS DEFICIENTES VISUAIS
O Projeto de Lei do Senado 320/09, que concede bolsa-atleta aos guias dos para-atletas deficientes visuais, foi aprovado pelo Plenário. A bolsa-atleta é destinada aos praticantes do desporto de rendimento em modalidades olímpicas e paraolímpicas, bem como naquelas modalidades vinculadas ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Comitê Paraolímpico Internacional. Por essa lei, a bolsa-atleta garante aos beneficiados valores mensais que, no caso da categoria atleta olímpico e paraolímpico, é de R$ 2.500. O projeto, apresentado pela CE, estabelece ainda que o guia será avaliado segundo os resultados do para-atleta com quem compete para a definição da categoria de bolsa-atleta a que terá direito.
Jornal do Senado, ano XV, nº 3.151/246, Brasília, 7 a 13 de dezembro de 2009, página 3, edição semanal.
AUTISMO
Participantes de audiência pública da Comissão de Direitos Humanos (CDH) exigiram políticas públicas para os autistas e mais investimentos em pesquisas para diagnosticar a doença de forma precoce. As entidades representadas no debate vão apresentar projeto de lei à CDH com as reivindicações que beneficiam os autistas.
Jornal do Senado, ano XV, nº 3.146/245, Brasília, 30 de novembro a 6 de dezembro de 2009, página 11, edição semanal.
O QUE É A 1ª CONFERÊNCIA NACIONAL DE COMUNICAÇÃO
A 1ª Confecom, que ocorrerá de 14 a 17 de dezembro, em Brasília, terá como tema "Comunicação: meios para construção de direitos e de cidadania na era digital". O evento atende a reivindicação dos movimentos sociais que avaliam que falta um marco regulatório adequado para o setor, marcado pela convergência tecnológica e novas mídias, como a internet.
No Fórum Social Mundial deste ano, o presidente Lula anunciou a conferência, convocada por decreto em abril. A presidência do evento é do Ministério das Comunicações e, além de órgãos do governo, a comissão organizadora tem membros do Senado e da Câmara, e de movimentos sociais, empresas de comunicação e emissoras públicas.
Nas etapas estaduais foram escolhidos 1.684 delegados e aprovadas cerca de mil sugestões para a etapa nacional, em que serão aprovadas propostas com 60% dos votos. Do total de delegados, 40% vêm de movimentos sociais, 40% do empresariado e 20% do governo.
Jornal do Senado, Ano XV, Nº 3.146/245, Brasília, 30 de novembro a 6 de dezembro de 2009, página 10, Edição Semanal.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
REPENTISTAS
Com a presença de mais de 30 repentistas de vários estados nordestinos, a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou projeto (PLC 174/07) do deputado André de Paula (DEM-PE) que reconhece a atividade de repentista como profissão artística.
Jornal do Senado, Ano XV, Nº 3.146/245, Brasília, 30 de novembro a 6 de dezembro de 2009, Edição Semanal, página 5.
REGISTRO DE MÚSICAS
Proposta que obriga o registro de músicas na Biblioteca Nacional foi aprovada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). A matéria (PLC 24/09) visa assegurar o registro, a divulgação e a preservação da produção musical nacional.
Jornal do Senado, Ano XV, Nº 3.146/245, Brasília, 30 de novembro a 6 de dezembro de 2009, Edição Semanal, página 5.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
WALTER LAJES canta "CANTO" em Pinheiros- ES 2007
Apresentação de Walter Lajes em 2007 no 11º FESCAP(Festival da Canção de Pinheiros - ES) Título: Canto; Música e Interpretação: Walter Lajes; Letra: Abdias Campos; Participação Especial: Kell Lira.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
MANOEL HÉLIO NO LOUCURAS DO ALEXANDRELLI
Entrevista com a Banda Pedra, lançando o CD Pedra II, e com Manoel Hélio, licenciado em Psicologia, poeta, escritor, funcionário público, editor do blog TRIBUNA ESCRITA...
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Estou indicando essa entrevista para divulgar livros e inspirar natais.
Tive a honra de ser aluna do Nicolau e, por isso, indico a tradução que ele fez recentemente para o irreverente Alice no País das Maravilhas.
Lançado em: outubro/2009entrevista: Nicolau Sevcenko
Alice, nossa heroína e inspiradora
Por Livia DeorsolaAlice no País das Maravilhas é “a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.” A definição é de Nicolau Sevcenko, que, além de apaixonado pela obra-prima de Lewis Carroll, é um de seus melhores tradutores. Historiador e professor da Universidade de Harvard e da USP, ele volta ao texto do autor inglês na nova edição da Cosac Naify, uma versão completa do original de 1865, somente agora com a tradução inédita dos poemas. Sevcenko assina também um posfácio exclusivo, contextualizando o período vitoriano em que o livro foi escrito e a crítica à sociedade implícita na narrativa de Carroll. Centra-se, sobretudo, na submissão das crianças à disciplina puritana que tolhia a liberdade lúdica.Na entrevista a seguir, o tradutor fala, ainda, sobre a visita que fez aos locais onde viveram Carroll e a família de Alice, e ressalta seu maravilhamento diante da “poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica e estranhamente desconcertante” criada pelas ilustrações do artista plástico Luiz Zerbini.
*
O que o levou a traduzir Alice no País das Maravilhas?Sempre fui apaixonado pelo livro. Sabendo disso, a Cristina Carletti, então editora da Scipione, me convidou para traduzi-lo (no final dos anos 80 ou início dos 90, não lembro bem). Eu disse que gostaria de fazer o texto na íntegra, e não apenas uma adaptação. Na época, eu estava bastante ocupado – com aulas, pesquisa, artigos, livros –, por isso o processo da tradução foi bastante árduo e lento, e levou cerca de um ano para ficar pronto. O resultado acabou se tornando até mesmo parte de pesquisas de mestrado e doutorado, no Brasil e no exterior, que comparavam diferentes traduções da Alice, o que me deixou muito contente. Minha tradução foi também escolhida para ser transcrita em braile pelo Instituto dos Cegos do Brasil, o que mais me deixou feliz. Para esta nova edição, o senhor retraduziu os poemas originais de Lewis Carroll. O que mudou?Na ocasião em que fiz o trabalho pela primeira vez, decidimos usar parte dos poemas traduzidos pelo Geir Campos, para não atrasarmos o cronograma. Então aproveitamos algumas das poesias mais longas e complicadas. Agora, eu mesmo traduzi todos os poemas. Encarar os jogos gramaticais, semânticos, contextuais, poéticos, filosóficos, estéticos e éticos das poesias e canções do livro foi um desafio enorme. Mas quanto maior a complexidade e amplitude do desafio, maior é o prazer de enfrentar e se divertir com o jogo. É uma espécie de toque-emboque de palavras e imagens que a gente tem que encarar com coragem, porque se a gente vacila, por trás ecoa a voz ameaçadora da Rainha gritando: – Cortem a cabeça dele!O senhor visitou os lugares onde viveu e trabalhou Lewis Carroll, em Oxford. Como foi a experiência? Só pude visitar Oxford no fim dos anos 90, quando fui convidado para participar de um evento acadêmico no Saint Anthony's College da Universidade de Oxford. Fiquei excitadíssimo com a possibilidade de conhecer de perto o cenário da vida de Lewis Carroll e das irmãs Liddell [sobrenome da família de Alice]. Fiz uma pesquisa básica sobre os lugares por onde eles andavam e pelas circunstâncias e contextos que foram incorporados no livro, e me diverti muito fazendo o roteiro. Lá, naturalmente, tanto o pessoal da Universidade quanto os habitantes são fãs incondicionais da Alice, e quase todo mundo tem uma anedota para contar, algum fato inusitado, algum lugar menos conhecido, fofocas sobre a identidade secreta dos personagens, sobre o que Carroll aprontava na Universidade, sobre a família Liddell e as meninas. Foi uma delícia e aprendi maravilhas, literalmente.No posfácio feito para esta edição, o senhor ressalta a sátira ao mundo dos adultos, liberando as crianças para a espontaneidade e para sua vocação lúdica. Qual o sentido que esta interpretação, vinculada ao contexto vitoriano, mantém?O livro apresenta um mundo atravessado de irracionalidade, de situações absurdas e de diálogos desconcertantes, e, no entanto, é movido por uma lógica política implacável. Ele representa uma ordem opressiva em que prevalecem a violência, o medo, a coação, as ameaças, que se impõem de cima para baixo, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais expostos a atos arbitrários. É exatamente como se sentem as crianças e os jovens, num mundo dominado por gente grande, arrogante, autoritária e brutal. É como se sentem também as pessoas pobres, os deficientes, as minorias, os estrangeiros, os imigrantes e as criaturas da natureza. Alice, não nos esqueçamos, é uma estrangeira no País das Maravilhas. O outro lado da história, ainda mais fascinante, é que, sendo uma criança, Alice não incorporou ainda a norma e o hábito da subserviência. Nesse sentido, onde quer que ela detecte alguma situação de prepotência ou desrespeito, imediatamente reage e encara o ser truculento de igual para igual, sem medo e sem dobrar a espinha. Ela implode a lógica do autoritarismo vitoriano. É nesse sentido que ela é a nossa heroína e inspiradora. Só uma criança pode ter esse desprendimento de ignorar as regras que sustentam um sistema opressivo. Tal como o menino que um dia gritou que “O rei está nu!”. Portanto, Alice ainda é e sempre será a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.Um dos trechos mais conhecidos da obra é o momento em que aparece a Rainha de Copas e seu particular senso de justiça – a sentença antes do veredicto. Qual a leitura política que se pode fazer desta passagem?O livro todo é uma grande alegoria sobre os mecanismos que sustentam sistemas de poder e como desarmá-los. Eu sei que dizer isso soa como uma aberração e parece extrapolar o universo de um livro infanto-juvenil. Mas esse é o verdadeiro mistério pelo qual essa obra é das mais lidas, traduzidas e admiradas da cultura ocidental: ela comporta imensas ambivalências e cria uma realidade limiar, que tanto pode ser entendida como uma fábula para jovens, quanto como uma das mais percucientes alegorias políticas. Além de historiador, o senhor é interessado por diversas áreas, como literatura e cinema. Dentro desta perspectiva múltipla, quais são as aberturas que Alice no País das Maravilhas oferece ao leitor? A Alice é uma história com uma esplêndida força visual. É por isso que as ilustrações e os ilustradores sempre foram parte integrante e decisiva do livro. Essa é a razão também porque essa obra pode ser vertida fácil e admiravelmente para qualquer linguagem performativa: teatro, cinema, desenho animado, quadrinhos, dança, música, ópera (acho que até hoje ninguém ainda teve a ideia genial de montar uma ópera sobre a Alice, mas fica aqui a sugestão para quem tiver a coragem e o bom-gosto!). Para a edição da Cosac Naify, o Augusto Massi e a Isabel Coelho convidaram o artista Luiz Zerbini, que fez um trabalho de uma poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica, cheia de sugestões lúdicas e estranhamente desconcertante. É sem dúvida um trabalho à altura da energia alucinante e hipnótica do livro.
Tive a honra de ser aluna do Nicolau e, por isso, indico a tradução que ele fez recentemente para o irreverente Alice no País das Maravilhas.
Lançado em: outubro/2009entrevista: Nicolau Sevcenko
Alice, nossa heroína e inspiradora
Por Livia DeorsolaAlice no País das Maravilhas é “a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.” A definição é de Nicolau Sevcenko, que, além de apaixonado pela obra-prima de Lewis Carroll, é um de seus melhores tradutores. Historiador e professor da Universidade de Harvard e da USP, ele volta ao texto do autor inglês na nova edição da Cosac Naify, uma versão completa do original de 1865, somente agora com a tradução inédita dos poemas. Sevcenko assina também um posfácio exclusivo, contextualizando o período vitoriano em que o livro foi escrito e a crítica à sociedade implícita na narrativa de Carroll. Centra-se, sobretudo, na submissão das crianças à disciplina puritana que tolhia a liberdade lúdica.Na entrevista a seguir, o tradutor fala, ainda, sobre a visita que fez aos locais onde viveram Carroll e a família de Alice, e ressalta seu maravilhamento diante da “poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica e estranhamente desconcertante” criada pelas ilustrações do artista plástico Luiz Zerbini.
*
O que o levou a traduzir Alice no País das Maravilhas?Sempre fui apaixonado pelo livro. Sabendo disso, a Cristina Carletti, então editora da Scipione, me convidou para traduzi-lo (no final dos anos 80 ou início dos 90, não lembro bem). Eu disse que gostaria de fazer o texto na íntegra, e não apenas uma adaptação. Na época, eu estava bastante ocupado – com aulas, pesquisa, artigos, livros –, por isso o processo da tradução foi bastante árduo e lento, e levou cerca de um ano para ficar pronto. O resultado acabou se tornando até mesmo parte de pesquisas de mestrado e doutorado, no Brasil e no exterior, que comparavam diferentes traduções da Alice, o que me deixou muito contente. Minha tradução foi também escolhida para ser transcrita em braile pelo Instituto dos Cegos do Brasil, o que mais me deixou feliz. Para esta nova edição, o senhor retraduziu os poemas originais de Lewis Carroll. O que mudou?Na ocasião em que fiz o trabalho pela primeira vez, decidimos usar parte dos poemas traduzidos pelo Geir Campos, para não atrasarmos o cronograma. Então aproveitamos algumas das poesias mais longas e complicadas. Agora, eu mesmo traduzi todos os poemas. Encarar os jogos gramaticais, semânticos, contextuais, poéticos, filosóficos, estéticos e éticos das poesias e canções do livro foi um desafio enorme. Mas quanto maior a complexidade e amplitude do desafio, maior é o prazer de enfrentar e se divertir com o jogo. É uma espécie de toque-emboque de palavras e imagens que a gente tem que encarar com coragem, porque se a gente vacila, por trás ecoa a voz ameaçadora da Rainha gritando: – Cortem a cabeça dele!O senhor visitou os lugares onde viveu e trabalhou Lewis Carroll, em Oxford. Como foi a experiência? Só pude visitar Oxford no fim dos anos 90, quando fui convidado para participar de um evento acadêmico no Saint Anthony's College da Universidade de Oxford. Fiquei excitadíssimo com a possibilidade de conhecer de perto o cenário da vida de Lewis Carroll e das irmãs Liddell [sobrenome da família de Alice]. Fiz uma pesquisa básica sobre os lugares por onde eles andavam e pelas circunstâncias e contextos que foram incorporados no livro, e me diverti muito fazendo o roteiro. Lá, naturalmente, tanto o pessoal da Universidade quanto os habitantes são fãs incondicionais da Alice, e quase todo mundo tem uma anedota para contar, algum fato inusitado, algum lugar menos conhecido, fofocas sobre a identidade secreta dos personagens, sobre o que Carroll aprontava na Universidade, sobre a família Liddell e as meninas. Foi uma delícia e aprendi maravilhas, literalmente.No posfácio feito para esta edição, o senhor ressalta a sátira ao mundo dos adultos, liberando as crianças para a espontaneidade e para sua vocação lúdica. Qual o sentido que esta interpretação, vinculada ao contexto vitoriano, mantém?O livro apresenta um mundo atravessado de irracionalidade, de situações absurdas e de diálogos desconcertantes, e, no entanto, é movido por uma lógica política implacável. Ele representa uma ordem opressiva em que prevalecem a violência, o medo, a coação, as ameaças, que se impõem de cima para baixo, numa estrutura hierárquica em que os mais fracos e vulneráveis são os mais expostos a atos arbitrários. É exatamente como se sentem as crianças e os jovens, num mundo dominado por gente grande, arrogante, autoritária e brutal. É como se sentem também as pessoas pobres, os deficientes, as minorias, os estrangeiros, os imigrantes e as criaturas da natureza. Alice, não nos esqueçamos, é uma estrangeira no País das Maravilhas. O outro lado da história, ainda mais fascinante, é que, sendo uma criança, Alice não incorporou ainda a norma e o hábito da subserviência. Nesse sentido, onde quer que ela detecte alguma situação de prepotência ou desrespeito, imediatamente reage e encara o ser truculento de igual para igual, sem medo e sem dobrar a espinha. Ela implode a lógica do autoritarismo vitoriano. É nesse sentido que ela é a nossa heroína e inspiradora. Só uma criança pode ter esse desprendimento de ignorar as regras que sustentam um sistema opressivo. Tal como o menino que um dia gritou que “O rei está nu!”. Portanto, Alice ainda é e sempre será a melhor lição de ética, de irreverência e de inconformismo, tanto para crianças quanto para adultos.Um dos trechos mais conhecidos da obra é o momento em que aparece a Rainha de Copas e seu particular senso de justiça – a sentença antes do veredicto. Qual a leitura política que se pode fazer desta passagem?O livro todo é uma grande alegoria sobre os mecanismos que sustentam sistemas de poder e como desarmá-los. Eu sei que dizer isso soa como uma aberração e parece extrapolar o universo de um livro infanto-juvenil. Mas esse é o verdadeiro mistério pelo qual essa obra é das mais lidas, traduzidas e admiradas da cultura ocidental: ela comporta imensas ambivalências e cria uma realidade limiar, que tanto pode ser entendida como uma fábula para jovens, quanto como uma das mais percucientes alegorias políticas. Além de historiador, o senhor é interessado por diversas áreas, como literatura e cinema. Dentro desta perspectiva múltipla, quais são as aberturas que Alice no País das Maravilhas oferece ao leitor? A Alice é uma história com uma esplêndida força visual. É por isso que as ilustrações e os ilustradores sempre foram parte integrante e decisiva do livro. Essa é a razão também porque essa obra pode ser vertida fácil e admiravelmente para qualquer linguagem performativa: teatro, cinema, desenho animado, quadrinhos, dança, música, ópera (acho que até hoje ninguém ainda teve a ideia genial de montar uma ópera sobre a Alice, mas fica aqui a sugestão para quem tiver a coragem e o bom-gosto!). Para a edição da Cosac Naify, o Augusto Massi e a Isabel Coelho convidaram o artista Luiz Zerbini, que fez um trabalho de uma poesia visual ao mesmo tempo delicada, onírica, cheia de sugestões lúdicas e estranhamente desconcertante. É sem dúvida um trabalho à altura da energia alucinante e hipnótica do livro.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
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