domingo, 12 de outubro de 2014

Sustentabilidade Amorosa (Crônica)

Num boteco à beira da estrada, entre um gole e outro de vinho (boa procedência, afinal sou amiga da dona), algo me chama a atenção: a palavra “sustentabilidade”.
Impossível não ouvir a conversa que envolvia aquela roda de amigos.
Foi quando percebi que a palavra não era usada no sentido habitual.
Simplesmente era a resposta de um macho que se pretendia “alfa” a uma quarentona que participava da roda e se declarava sem compromissos.
- Você conhece a lei da sustentabilidade, fulana?
Sustentabilidade, na sua concepção, uma metáfora para: “está sozinha por que quer, se sustentar...”
Dei um pulinho no ontem e reconectei-me ao Facebook.
Lembrei-me do ataque súbito, in box: um “predador” de plantão. Tipos com palavras gentis, princesas e falsas gentilezas.
Não sou suscetível a banalidades, já não tenho sonhos de cinderela. E o senso crítico fala alto.  Gosto de riscos calculados, das surpresas após a curva da estrada. Não sou linear, gosto de namorar e alguma gentileza.
Espantam-me a exposição da solidão e disponibilidades em busca de possibilidades nas redes sociais.
Um relacionamento eventual ou duradouro sustenta-se por si só, não precisa de “sustentabilidades”.

©rosangelaSgoldoni
10 10 2014
RL T 4 994 818

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